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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Filme de Santoro representa o Brasil em festival de cinema na Espanha

'Leonera', dirigido pelo argentino Pablo Trapero, disputa Festival de San Sebastián.
Evento reúne as melhores e mais renovadoras criações do cinema latino-americano.
Foto: Divulgação
Os filmes "Tony Manero", de produção chilena-brasileira e dirigido por Pablo Larraín, e "Leonera", de Argentina-Brasil-Coréia do Sul, de Pablo Trapero -com Rodrigo Santoro no elenco- serão os representantes brasileiros que concorrerão na seção "Horizontes Latinos" do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha.
No evento são reunidas as melhores e mais renovadoras criações do cinema latino-americano do último ano.
Os responsáveis pelo festival, que será realizado de 18 a 27 de setembro, anunciaram na quarta-feira (20) os 14 filmes que concorrerão ao prêmio; outros dois longas-metragens fora de concurso também se somarão a eles.
São filmes produzidos na América Latina, dirigidos por cineastas de origem latina ou que se inspiraram em comunidades latinas do mundo, e as regras do festival impedem que os mesmos tenham sido apresentados em outro evento do gênero na Espanha.
Uma produção germano-holandesa, que é a nova obra da diretora Heddy Honigmann, de "Forever" (2006), inaugurará a seção com uma história sobre uma cidade esquecida, Lima, na qual algumas crianças sobrevivem descobrindo a arte da vida nas ruas.
Em "Horizontes Latinos" se apresentarão também filmes premiados recentemente em festivais internacionais como o mexicano "Parque vía", de Enrique Rivero, que na semana passada ganhou o Leopardo de Ouro, no Festival de Locarno (Suíça).
O Festival Internacional de Cinema de San Sebastián foi criado em 1953 como uma semana internacional de cinema, mas passou a entregar prêmios oficiais em suas categorias mais importantes em 1955.

Ministério da Cultura abre inscrições para brasileiros candidatos ao Oscar

Prazo para interessados em disputar a indicação brasileira vai até 8 de setembro.
Uma comissão escolherá o representante do Brasil; resultado sai em 16 de setembro.
AFP
A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura abriu, nesta quinta-feira (21), as inscrições para os filmes interessados em disputar uma vaga para a indicação brasileira ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009. O prazo vai até 8 de setembro.
Para entrar na seleção, os longas devem ter sido lançados entre 1º de outubro de 2007 e 30 de setembro de 2008, exibidos por pelo menos sete dias consecutivos em salas de cinema comerciais e feitos em 35 mm, 70 mm ou em digital.
Uma comissão selecionada pelo ministério escolherá a produção que representará o Brasil. O resultado será anunciado em 16 de setembro. Mais de 90 países enviam suas produções para a categoria de filme estrangeiro; apenas cinco são escolhidos para de fato disputarem o Oscar.
Os indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas serão divulgados em 22 de janeiro de 2009, e a premiação acontecerá em março.

Com foco na política, Festival de Curtas abraça produção mundial

Acontece a partir desta sexta-feira (22) a 19ª edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que tem como principal objetivo reunir o que de mais criativo e inovador foi realizado na produção mundial de curtas-metragens. Na programação deste ano, 381 filmes vindos de 54 países. Nesta quinta-feira, ocorre a abertura do evento para convidados.
Foto: Divulgação
Com o tema “Política viva”, a mostra promove o intercâmbio de experiências culturais, econômicas e políticas relacionadas ao curta-metragem, dedicando sua programação não apenas a filmes inéditos, mas também a retrospectivas (neste ano dedicada ao cineasta argentino Gustavo Taretto), homenagens e curtas digitais feitos nas periferias das grandes cidades, especialmente com o projeto Kinoforum.
As Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual consistem em mobilizar moradores das periferias das grandes cidades em torno da realização de curtas-metragens que são anualmente exibidos no festival, além de serem mostrados nas próprias comunidades. No primeiro semestre deste ano, foram realizadas oficinas em Mauá e Sacomã. Desde o projeto piloto, em 2001, 713 alunos realizaram 168 vídeos em 48 oficinas.
Além da Kinoforum, o festival tem várias outras atividades paralelas, como a “Crítica curta”, oficina de crítica cinematográfica; a “Noite Kino”, que desafia alunos a produzirem um curta em 36 horas; o “Cinema na comunidade”, que consiste na exibição de filmes fora das salas habituais de exibição; entre outras.
Foto: Divulgação
No dia 27, a partir das 19h, o Cine Olido sediará uma sessão do “Cachaça Cinema Clube” -“um brinde à perda do autocontrole que manteve viva a criatividade e a leveza nos anos de chumbo”-, e exibe os documentários “Rio, capital mundial do cinema”, de Arnaldo Jabor, “Xarabovalha”, de Heloísa Buarque de Holanda, “A miss e o dinossauro”, de Helena Ignez e “Raimundo Fagner”, de Sérgio Santos.
Entre os destaques da programação do evento está “Rummikub”, com Alice Braga, dirigido por Jorge Furtado, ícone maior da produção de curtas brasileiros com “Ilha das flores” (1989). Vale citar também “Dossiê Rê Bordosa”, de César Cabral, sobre os reais motivos que levaram o cartunista Angeli a matar Rê Bordosa, sua mais famosa criação. E “Blackout”, com Wagner Moura, o segundo curta dirigido por Daniel Rezende, montador de filmes como “Ensaio sobre a cegueira”, “Tropa de elite” e indicado ao Oscar pela edição de “Cidade de Deus”.
Na mostra “Panorama paulista” estão “Relicário”, dirigido por Rafael Gomes (um dos diretores de “Tapa na pantera”); “La Dolorosa”, que traz Débora Falabella no elenco e “Ópera do Mallandro”, de André Moraes, uma homenagem ao lado trash dos anos 80, com Lázaro Ramos, Luciano Szafir e Wagner Moura. Vale lembrar também da animação "Batalha, a guerra do vinil", animação que tem participação do rapper Thaíde como dublador.
No quesito internacional, foram selecionados os vencedores dos principais festivais do mundo. “Megatron”, de Marian Crisan (Romênia), foi o ganhador da Palma de Ouro de Cannes e conta a história de um garoto que faz de tudo para encontrar seu pai em Bucareste. Já o vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2008 foi “Um bom dia para nadar”, do também romeno Bogdan Mustata. O filme acompanha uma jornada violenta de adolescentes delinqüentes fugitivos de um reformatório.
O festival também exibe o grande prêmio da competição internacional de Clermont-Ferrand , “Na linha” de Reto Caffi.

Crítica: Com Angelina Jolie, ‘O procurado’ deixa a lógica de lado

Estrelado por Angelina Jolie, James McAvoy e Morgan Freeman, "O procurado" (Wanted), que chega aos cinemas nesta sexta-feira (22), é um filme de ação acelerado, violento e cheio de efeitos especiais. Mas é prudente avisar: ao sair para assisti-lo, deixe o cérebro e o coração em casa, pois você vai precisar tê-los bem longe para entrar no clima dessa produção inverossímil e insensível, mas que pode se tornar muito divertida.
Foto: Divulgação/Divulgação
Dirigido pelo russo Timur Bekmambetov, o longa-metragem traz tiros que viajam em círculo, balas que derrubam outras balas e assassinos que vencem a força da gravidade, tudo em imagens geradas por computador com apuro técnico de primeira. O cineasta constrói um mundo que se aproxima do videogame, onde as pessoas não parecem ter sentimentos e a violência é rápida e brutal, sem sofrimento ou sadismo.
Baseada nos quadrinhos de Mark Millar e J.G. Jones, a trama traz McAvoy (de “As crônicas de Nárnia”, “O último rei da Escócia” e “Desejo e reparação” ) como Wesley, um funcionário da área contábil de uma empresa afogado na frustração de sua própria rotina. Como se já não bastasse, Wesley é traído por sua namorada com seu melhor amigo, um típico “loser”, que lembra o protagonista de “Clube da luta”.



Um belo dia, ele conhece Fox – uma Angelina Jolie armada até os dentes, cheia de tatuagens e incrivelmente sensual – que o intima para integrar uma organização secreta, a Fraternidade, que tem como objetivo matar determinadas pessoas para evitar tragédias maiores para a humanidade.
Fox revela que Wesley, na verdade, é filho de um célebre membro da organização que foi morto, e que agora seus assassinos estão atrás do pobre contador. A história é difícil de acreditar, mas sabe como é Angelina Jolie, ela convence qualquer homem de qualquer coisa.
Na Fraternidade, Wesley tem a oportunidade de vingar todos seu ódio contido e de virar um assassino altamente qualificado. Mas isso é conquistado à custa de duros treinos, que envolvem bater muito e apanhar ainda mais. Morgan Freeman interpreta Sloan, que lidera a organização com a sabedoria e o poder de comando que já são típicos de seus personagens no cinema.
Embora o ponto forte do filme seja o visual, a história também guarda suas surpresas, e mirabolante é pouco para o que vem à frente. É certo que um filme não precisa ser verossímil para ser bom, mas “O procurado” abusa do direito de ser inverossímil. Por isso, para curtir a sessão, só mesmo deixando a lógica do lado de fora.

Morre o roteirista Leopoldo Serran, de 'Bye bye Brasil'

Família pretende lançar livro inédito e coletânea de textos.
'Ele foi o maior roteirista da minha geração', diz Cacá Diegues.
Foto: Guilherme Serran/Arquivo pessoal
O roteirista carioca Leopoldo Serran, de 66 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira (20), no Rio de Janeiro. Serran é um dos mais importantes nomes do cinema nacional. São dele os roteiros de filmes como “Dona Flor e seus dois maridos” (1976), “Bye bye Brasil” (1979), “Gabriela, cravo e canela” (1983) e “O que é isso companheiro?” (1997).
Serran sofria de câncer e, em seu último mês de vida, estava sob os cuidados da ex-mulher, Leonor, mãe de seus dois filhos, Guilherme e Paolo. O corpo do roteirista foi enterrado no começo desta tarde, no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo.
Segundo Guilherme, a família pretende lançar o livro “O penúltimo caso”, trabalho inédito do roteirista, que também é autor da obra “Arara carioca” (2007). “Pretendemos fazer uma pesquisa de textos inéditos do meu pai para organizar uma coletânea. Ainda é cedo, mas já começamos a pensar neste projeto”, contou o filho do roteirista.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Tom Cruise vai trabalhar em adaptação para o cinema da HQ 'Sleeper'

Projeto está sendo desenvolvido com o diretor Sam Raimi.
História é de agente cuja fusão com um artefato alienígena o torna insensível à dor.
Divulgação
Tom Cruise está escrevendo o próximo capítulo de sua carreira e interessando-se por filmes baseados em histórias em quadrinhos. Com o cineasta Sam Raimi, o ator está desenvolvendo "Sleeper" como projeto de longa-metragem para a Warner Bros.
Em princípio, Cruise deve atuar na adaptação da HQ da DC Comics/Wildstorm, que Raimi produziria com Josh Donen, seu sócio da Star Road Entertainment.
Escrito por Ed Brubaker com arte de Sean Phillips, "Sleeper", publicado entre 2003 e 2005, gira em torno de um agente cuja fusão com um artefato alienígena o torna insensível à dor. Uma agência de inteligência o coloca como espião numa organização criminosa, e ele se apaixona por Miss Misery, uma integrante da organização.
Apesar de ainda ser co-proprietário da United Artists --que sua sócia produtora durante anos, Paula Weinstein, deixou na semana passada--, Tom Cruise não está ligado exclusivamente à empresa.
Seu próximo trabalho como ator será no thriller da Spyglass "Tourist", diferindo dos papéis mais cerebrais que representou em "Leões e cordeiros" e no drama da 2ª Guerra Mundial "Valkyrie", ainda inédito, no qual ele faz o oficial antinazista Claus van Stauffenberg.
"Sleeper" é o terceiro projeto ao qual Tom Cruise se ligou nas últimas duas semanas, todas separadas de seus compromissos com a United Artists. Além de "Tourist", o ator expressou interesse pela comédia "Food fight", da Working Title/Universal.
Também fora da UA, o ator foi elogiado na semana passada pelo papel pouco característico de magnata do cinema, careca, na comédia "Trovão tropical".
Mesmo se ele optar por não atuar em "Sleeper", seu interesse pelo projeto está injetando ânimo neste, embora haja problemas complexos envolvendo direitos que terão que ser resolvidos antes. "Sleeper" é um livro que teve como ponto de partida o título "WildC.A.T.s", da Wildstorm, e inclui personagens de outro livro baseado neste, "Gen 13". Os dois livros já tinham passado por diferentes empresas de cinema em Hollywood, e alguns desses contratos antecederam a aquisição da Wildstorm pela DC, em 1999.
A Warner, no momento envolvida em disputa judicial com a Fox em torno dos direitos ao filme de super-heróis "Watchmen," parece estar decidida a fazer tudo corretamente em seus contratos para "Sleeper".
O projeto está sendo visto não apenas como filme a ser possivelmente estrelado por Tom Cruise, mas também como possível franquia

terça-feira, 19 de agosto de 2008

'L.A.P.A.' mostra reduto do samba se transformar em ponto do hip hop

Documentário mostra a presença do gênero no Rio de Janeiro.
Filme foi exibido em festival de cinema brasileiro em Nova York.
Foto: Divulgação
Famoso berço do samba carioca, o bairro da Lapa também é ponto de encontro de rappers, que lá fazem suas festas, seus shows, suas batalhas - e produzem cultura musical pensante. Tudo isso está registrado no documentário “L.A.P.A.”, exibido nesta quarta-feira (13) no Cine Fest Petrobras Brasil-NY. Realizado nos Estados Unidos, o festival vem mostrando uma programação exclusivamente de filmes brasileiros, e neste ano aponta seu foco para a música, dando destaque para os 50 anos da bossa nova.
Dirigido pela dupla Cavi Borges e Emilio Domingos, “L.A.P.A.” não se prende apenas ao bairro do Rio de Janeiro, mas faz questão de escancarar para o espectador as entranhas do hip hop carioca, reunindo personagens que têm muito a dizer – e propriedade suficiente para discorrer sobre o tema – além de assuntos importantes, como a profissionalização, a família, o dinheiro e o “proceder” - a atitude.
Black Alien arrancou aplausos de uma platéia embalada pelo documentário do começo ao fim ao falar sobre quão prejudicial pode ser a influência do rap norte-americano nos artistas brasileiros. “Não ganhamos em dólar. Os clipes da MTV mostram os caras com Mercedes e cordão de ouro… Essa não é a nossa realidade.”
E vem seguido de outro depoimento brilhante, de MC Funkero, famoso no cenário carioca por sua mistura de rap e funk, que explica: “Quando você não tem o que comer, é revolucionário, quer tomar o do outro. Quando você tem um bifão, vira reacionário”. O filme mostra as dificuldades que os rimadores enfrentam e o sonho de um dia poder ajudar mais a família.
Retrata também as referências musicais e de literatura. É o próprio Funkero quem conta, em frente às câmeras, que adora Monteiro Lobato, e que jamais escreveria suas letras se nao tivesse lido “Reinações de Narizinho”, porque o livro instigou sua imaginação.
“L.A.P.A” consegue juntar personagens mais famosos e outros que, apesar da atuação no mundo do hip hop, ainda não vivem exclusivamente da música, para fazer um verdadeiro raio-x do mundo do rap. O filme reúne imagens de festas que aconteciam na Lapa nos anos 90, como a Zoeira, relembra pontos de encontro dos rapper, como a Fundição Progresso e o Circo Voador, e mostra imagens essenciais dos combates entre MCs na “Batalha do Real”.
É como diz MC Macarrão a certa altura do documentário: “É didático o caô [coisa nenhuma]. Além de tudo, você pode levar 'nego' a raciocinar sobre a questão”.